5 curiosidades sobre a presença sefardita no Brasil

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A perseguição da Inquisição e do Estado Português levou um grande número de judeus sefarditas a deixarem Portugal, incluindo aqueles que já tinham sido vítimas da conversão forçada à religião católica.

A diáspora, especialmente no final do século XV, espalhou os judeus sefarditas por vários países e continentes. Neste texto apresentamos cinco curiosidades sobre a presença, no Brasil, desse povo que marcou e foi marcado pela história. Lei e descubra se já conhecia alguma delas!

1. Judeus Sefarditas: antes de chegar ao Brasil

Antes do início das perseguições por parte da inquisição e do Estado, ao longo da Idade Média, os judeus em Portugal dedicavam-se especialmente às atividades econômicas que envolviam trabalhos manuais e financeiros. Conhecido como um povo culto, durante o governo dos reis da Primeira Dinastia Portuguesa, muitos judeus fizeram parte das cortes, ocupando altos cargos.

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2. O protagonismo sefardita em terras brasileiras

Após os editos de D. Manuel I, muitos judeus que foram forçados à conversão à fé católica deixaram Portugal rumo ao Brasil. Registros históricos mostram que em terras brasileiras esses chamados cristãos-novos tiveram papel de destaque na sociedade.

O pesquisador Paulo Carneiro pontua que um exemplo desse protagonismo foi Branca Dias. Fugindo da Inquisição com o marido, no Brasil, ela se tornou senhora de engenho e “além de reunir judeus para praticar a religião por debaixo dos panos – ela fundou a primeira escola para meninas do Brasil”, conta Carneiro, em entrevista a revista Super Interessante.

3. Os holandeses e a liberdade de culto

Mesmo no Brasil, os judeus convertidos em cristãos-novos não podiam praticar a sua fé judaica. Na condição de colônia o Brasil estava sujeito às mesmas normas que Portugal.

A primeira vez em que houve liberdade para que os judeus praticassem as suas tradições, incluindo as religiosas em território brasileiro, data de 1930, quando da ocupação Holandesa no nordeste do Brasil.

Uma das razões para isso é que no século XV, na Holanda, a liberdade de culto já era garantida, motivo que levou vários sefarditas que fugiam da inquisição a escolherem este país como destino. Assim, quando os holandeses conquistarão o território que hoje corresponde ao Estado de Pernambuco, além de muitos dos que ali desembarcaram serem também judeus, passou-se a seguir a regra que valia em terras holandesas.

4. A primeira sinagoga das Américas

Foi justamente no período da presença holandesa no nordeste brasileiro que foi construída a primeira Sinagoga das Américas. Datada de 1636 ela ainda existe e está situada na rua Bom Jesus, n. 197, na cidade de Recife, em Pernambuco. Recife abriga ainda o primeiro cemitério judaico do continente americano. A contribuição judaica neste período não se restringiu à elementos ligados diretamente com suas tradições e fé.

Em fala registrada na Super Interessante, a historiadora Daniela Levy destaca que “Os judeus foram responsáveis por reformas estruturais na cidade, como a ponte Maurício de Nassau (a maior do Brasil até então, com 180 metros), ligando a ilha de Antônio Vaz à cidade”.

5. O fim da liberdade e a fuga do Brasil

O período de liberdade judaica no Brasil no século XVII, entretanto, durou pouco. Após a retomada do controle da região de Pernambuco pelos portugueses, aos judeus que ali viviam foi dado um prazo para que deixassem o território.

No processo de fuga, destacou-se um grupo de 23 judeus que partiu de Recife rumo a Amsterdã, mas que após diversas desventuras no caminho, terminou por chegar à Nova York, na época conhecida com Nova Amsterdã.

Naquele novo territórios as coisas não foram mais fáceis. Mas mais uma vez o povo judeu resistiu e com a chegada de outros judeus formou-se uma grande comunidade judaica que teve papel primordial para a história dos Estados Unidos da América. Mas, essa é uma história que contaremos em outra altura.

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As cinco curiosidades apresentadas revelam como os judeus sefarditas são um povo que carrega em seu legado, além de suas tradições e costumes, o conhecimento, a força, a resistência e uma enorme resiliência para em meio à adversidade conseguir prosseguir e progredir.

Fontes consultadas: Revista Super Interessante e Centro de Portugal

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