Bartolomeu Lêdo e Ana Lins, patriarcas sefarditas

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Como muitos judeus sefarditas durante o século XVI, um jovem oleiro (fabricante de tijolos e telhas) chamado Bartolomeu Lêdo, filho de Antonio Lêdo e Ana Cassanoba, que segundo alguns pesquisadores seria judia, fixou-se em Olinda, Pernambuco. Como a cidade passava por um período de expansão, os serviços do português eram bastante requisitados, o que lhe fez prosperar no “novo mundo” e adquiriu uma fazenda.

A escassez de mulheres brancas no Brasil fazia com que as poucas existentes fossem disputadas, com vantagem para os homens de mais posses. Isso proporcionou bons casamentos para as cristãs novas que trocavam a Europa pelas terras além-mar. Acabou conhecendo e se casando com a mameluca Ana Lins, filha do cristão novo Roderich Linz Von Dondorf (Rodrigo Lins), comerciante originário do Sacro Império Romano Germânico que fez fortuna em Portugal, com sua escrava indígena Felipa Roiz (Rodrigues).

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Apesar do preconceito que sofria por ter sangue indígena, a jovem Ana Lins recebeu a melhor educação disponível nas condições em que vivia, tendo estudado na escola de Branca Dias. Provavelmente a situação de relativo conforto do casal também despertava inveja entre seus vizinhos menos afortunados.

A denúncia

Durante a visitação comandada pelo Inquisidor-mor Heitor Furtado de Mendonça (1593-1595), uma cristã nova presa pela prática de judaísmo chamada Beatriz Fernandes denunciou Ana e Bartolomeu como praticantes do judaísmo, o que levou à convocação do oleiro. Segundo Beatriz, os escravos do casal eram instados a “guardar os sábados” dentre diversas outras práticas comuns dos judeus. Ana acabou comparecendo espontaneamente no dia 10 de novembro de 1593 à presença de Mendonça, denunciando Branca Dias e seu marido, Diogo Fernandes Santiago, bem como a Bento Teixeira, pela prática de judaísmo, travando uma verdadeira batalha de acusações que culminou com a prisão dos acusados e o traslado dos ossos de Branca Dias para o Auto da Fé em Lisboa.

Entre todos os convocados pelo Inquisidor-mor, também compareceu o mameluco Manoel de Oliveira, que segundo os pesquisadores Antonio Pereira de Almeida e Tarcízio e Martinho Dinoá Medeiros, seria, junto com Bartolomeu Lêdo, a origem da família Oliveira Lêdo que povoou o Cariri paraibano.

Os descendentes

Acontece que estes personagens acabaram sendo obrigados a se retirar de Pernambuco devido à invasão holandesa, acompanhando o regimento de Matias de Albuquerque, em 1635, à Bahia. De lá, os descendentes teriam atravessado o rio São Francisco e se estabelecido na Paraíba, como os irmãos Custódio e Antônio de Oliveira Lêdo, de quem descendem os fundadores das principais cidades do Cariri paraibano, como Cabaceiras e São João do Cariri.

A descendência de Bartolomeu Lêdo e Ana Lins foi perpetuada entre as principais famílias da região. Através dos inúmeros casamentos, surgiram ramos como os Barros Leira, Cruz Oliveira, Faria Castro, Rodrigues de Oliveira, Pereira Pinto, Vieira Rodrigues, dentre outros.

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