Judeus sefardita: os judeus da terra de Sefarad

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É notório que desde que Portugal passou a conceder a nacionalidade portuguesa aos descendentes de judeus sefarditas que o interesse e a busca por informações sobre essa comunidade da antiga Península Ibérica aumentaram. Mas afinal, quem são os sefarditas? E os “cristãos-novos”? Há relação entre eles?

Os judeus sefarditas

O nome Sefardita está diretamente ligado à região onde esses judeus viviam. Naquela altura os judeus deram à península o nome de Sefarad, que veio a dar origem ao termo em português, ou sefaradí, em espanhol. É também daí que surgiram outros termos relacionados: sefaraditas ou sefaradim.

Acredita-se que os sefarditas habitavam o território da Península Ibérica desde o século I. Esta data é uma estimativa, uma vez que alguns estudiosos acreditam que esses judeus chegaram na região ainda no período das navegações fenícias. Por outro lado, as comprovações materiais de sua presença até hoje encontradas, datam do período romano.

Os sefarditas não estavam sozinhos

Embora a denominação desses judeus se deva à forma como denominaram a região da península Ibérica, isso não significa que eles habitaram sozinhos este espaço territorial. Essa convivência impactou a cultura desses judeus e também promoveu impacto na cultura dos demais povos que ali viviam.

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Assim, mesmo conservando os costumes e tradições judaicas originais, a convivência com outros povos e cultura deu origem a elementos próprios aos judeus sefarditas. Um exemplo disso é o ladino: uma mistura do castelhano e português medievais com palavras hebraicas ainda hoje falada em comunidades sefarditas ao redor do mundo.

Após anos de paz, uma nova diáspora

Os judeus sefarditas viveram durante séculos na Península Ibérica sem que se tenha registro de conflitos com outros povos da região. Ao longo deste período contribuíram para o desenvolvimento e participaram da vida política e social dos territórios que hoje são Portugal e Espanha. 

A história conta que até o final da Idade Média os sefarditas tinham prosperado e mesmo ocupado altos cargos nas monarquias ibéricas. Entretanto, no final do século XV, os judeus sefarditas viveram uma reviravolta no seu modo de vida e na sua liberdade de culto.

Acredita-se que o início das perseguições esteve ligado à atuação em cargos públicos, especialmente aqueles ligados à cobrança de impostos. Este lugar importante ocupado por alguns judeus teria motivado a nobreza, os proprietários de terras e parte do clero da época a começar campanhas difamatórias contra este povo. O ápice da perseguição foi atingido com a criação do Tribunal da Santa Inquisição na Espanha e em Portugal.

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E os cristãos-novos?

A violência e perseguição aos judeus começa primeiro em Espanha e alguns anos mais tarde se estende à Portugal. Em território espanhol, o marco histórico é o edito dos reis católicos D. Isabel e D. Fernando. Em 31 de março de 1492, estes determinam que os judeus que vivessem em território espanhol deveriam se converter ao catolicismo. Aqueles que se recusassem seriam expulsos.

É importante lembrar que além dos judeus, os mulçumanos que ainda viviam na península Ibérica também foram obrigados à conversão ao catolicismo. 

O termo cristão-novo então nasceu para se referir às pessoas de qualquer origem que se converteram ao catolicismo.

De Espanha para Portugal

Ao fim dos quatro meses de prazo dado pelos reis católicos de Espanha para que os judeus se convertessem ou deixassem o território espanhol, estima-se que mais de 100 mil judeus espanhóis deixaram a Espanha e refugiaram-se, com a permissão do rei D. João II, em Portugal.

Naquele momento, a decisão do rei português foi motivada pelos benefícios que a presença judaica podia trazer ao reino de Portugal. Afinal, tratava-se de uma mão de obra qualificada e, acima de tudo, que passariam a pagar impostos ao reinado.

A permissão de D. João II, não significou que os judeus sefarditas imigrados da Espanha foram bem recebidos em terras portuguesas. No cotidiano eles eram vistos com cerca desconfiança, inclusive por sefarditas portugueses que tinham enorme riqueza e poder na corte.

De Portugal para o mundo

Em Portugal, as coisas mudam no ano de 1495. Com o falecimento de D. João II, D. Manuel I assume o trono português. Diante das instabilidades vividas em Portugal naquela altura, incluindo pedidos de seus partidários para que existisse uma unidade religiosa no reino, D. Manuel I concorda com a exigência dos reis católicos espanhóis. Em troca do matrimonio com a filha enviuvada de Fernando e Isabel, o rei português determina a expulsão dos sefarditas do território lusitano.

Em dezembro de 1496, um mês após o casamento, D. Manuel I edita a ordem de expulsão dos judeus. Além disso, os que se recusassem a deixar o território português teriam seus bens confiscados e seriam executados. O edito era tão severo que gerou preocupações nos conselheiros do rei. Estes alertaram D. Manuel I que a medida levaria a grande fuga de capitais de Portugal.

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No intuito de evitar um significativo impacto econômico aos cofres reais, o rei português altera o edito, adotando a prática já imposta em Espanha da conversão obrigatória à fé católica para todos os judeus.

Ao longo de todo esse processo, fugindo da violência física e simbólica, milhares de judeus espalharam-se pelo mundo. Como resultado, a prática do judaísmo em Portugal foi drasticamente reduzida. Sua resistência se deu em comunidades cripto judaicas, ou seja, em segredo.

Outro novo termo: marrano

A obrigatoriedade de conversão seria, inclusive, a origem do termo “marrano”, usado depreciativamente pelos portugueses em relação aos cristãos-novos.

O termo teria duas prováveis origens: a primeira diz que seria um velho vocábulo espanhol ou português do início da Idade Média e significaria porco. Ainda hoje, no Alentejo, as pessoas se referem a uma porca jovem como “marrã”. Outra teoria aponta que o termo é uma corruptela da expressão hebraica “mar anuss”, que significa “homem convertido à força”.

Esse histórico de perseguição e violência vivida pelo povo sefardita é o que Decreto-Lei 30-A/2015, também chamado de lei da reparação busca reparar, permitindo que os descendentes daqueles que foram expulsos ou forçados a conversão possam novamente se conectar com suas raízes judaicas ibéricas.

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