Quem são os judeus sefarditas e os cristãos-novos

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Por causa da Lei nº 1/2013 e do Decreto-Lei 30-A/2015, que concedem cidadania portuguesa aos descendentes de judeus perseguidos pela Inquisição portuguesa, alguns termos têm ganhado repercussão, dentre os quais “cristãos-novos” e “sefarditas”. Mas têm o mesmo significado ou não têm nada a ver um com o outro? Vamos esclarecer.

Os Sefarditas

Assim ficou conhecido o povo judeu que teria ocupado a península Ibérica desde o período anterior ao Império Romano. É verdade que há estudiosos que afirmam haver indícios de que este povo se estabeleceu na região no período das navegações fenícias. Contudo, só há comprovações materiais de sua presença no período romano.

Naquela época, os hebreus chamavam a península de Sefarad, daí serem denominados sefarditas. As trocas culturais entre os diversos povos que habitaram a região deu origem ao ladino, língua até hoje utilizada por alguns grupos de sefarditas.

Apesar de viverem na região por séculos, tendo se estabelecido, prosperado e até ocupado altos cargos nas recém criadas monarquias ibéricas, no final da Idade Média os sefarditas começaram a ser alvo de perseguições. A atuação nestes cargos públicos, especialmente ligados à cobrança de impostos, teria sido a principal motivação para que tanto a nobreza quanto os proprietários de terras locais e parte do clero passassem a mover campanhas difamatórias contra este povo, culminando com o ressurgimento do Tribunal da Santa Inquisição na Espanha e em Portugal.

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Os cristãos-novos

A Inquisição teve início na Espanha, quando os reis católicos D. Isabel e D. Fernando estabeleceram, em 31 de março de 1492, que os judeus locais deveriam se converter ao catolicismo ou seriam expulsos em até quatro meses. Alguns resolveram se converter, ficando conhecidos como “cristãos-novos”.

Com o fim do prazo, mais de 100 mil judeus espanhóis entraram em Portugal com a permissão do rei D. João II que encarou como positivo poder contar com mão de obra qualificada e, acima de tudo, poder cobrar deles os impostos. Estes refugiados puderam se fixar em terras portuguesas onde inicialmente foram tolerados, mas encarados com certa desconfiança até mesmo pelos judeus locais, que tinham enorme riqueza e poder na corte.

Neste contexto, durante reinado de D. Manuel I — coroado em função da morte do seu cunhado D. João II — as instabilidades causadas pelas tensões sociais e as pressões dos partidários de uma unidade religiosa no reino foram determinantes para que o monarca cedesse à demanda feita pelos reis espanhóis Fernando e Isabel. Em troca da aliança matrimonial entre sua filha enviuvada e o rei português, os reis católicos exigiram a expulsão dos sefarditas do território lusitano.

O casamento ocorreu em novembro de 1496 e, já no mês seguinte, o rei português ordenou a expulsão dos judeus, que caso não saíssem de Portugal, seriam executados e seus bens confiscados. Voltou atrás ao ser alertado por seu conselho de que haveria grande fuga de capitais de Portugal com a medida, que acabou alterada para a obrigatoriedade de conversão ao catolicismo. Depois de muita violência física e simbólica, milhares de judeus espalharam-se pelo mundo, reduzindo drasticamente a prática da religião em Portugal, salvo a prática do cripto judaísmo (escondido).

Vale destacar que não apenas os judeus, mas também muçulmanos que ainda viviam na península Ibérica foram obrigados à conversão ao catolicismo. Desse modo, “cristãos-novos” são pessoas de qualquer origem que se converteram ao catolicismo.

Esta obrigatoriedade de conversão seria, inclusive, a origem do termo “marrano”, usado depreciativamente pelos portugueses em relação aos cristãos-novos. O termo teria duas prováveis origens: a primeira diz que seria um velho vocábulo espanhol ou português do início da Idade Média e significaria porco. Ainda hoje, no Alentejo, as pessoas se referem a uma porca jovem como “marrã”. Outra teoria aponta que o termo é uma corruptela da expressão hebraica “mar anuss”, que significa “homem convertido à força”.

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