Matriarcas Sefarditas: Branca Dias, uma história de resistência e fé

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Entre os séculos XV e XIII, o Brasil foi destino de fuga para muitos judeus e cristãos-novos (judeus forçados à conversão) devido à perseguição promovida pela Inquisição ibérica. As terras além-mar pareciam a muitos sefarditas, como são conhecidos os judeus originados de Portugal e Espanha, longe o suficiente para se verem relativamente seguros dos olhos do Santo Ofício.

Foi assim que muitos deles deram início a algumas das maiores famílias brasileiras, seja por quantidade de descendentes, seja por influência política e econômica. Esse foi o caso da renomada Branca Dias.

A fundadora do Nordeste brasileiro

A trajetória da portuguesa Branca Dias inspirou livros, peças de teatro, filme, histórias em quadrinhos e documentários. Isso por causa da sua importância para a história pernambucana, onde escolheu viver e morrer. Nasceu em 1515, em Viana do Castelo, cidade que hoje tem pouco mais de 85 mil habitantes, no norte de Portugal.

Casou-se no final da década de 1520 com o comerciante de tecidos e também cristão-novo Diogo Fernandes, com quem teve três filhos homens e oito mulheres, sendo que Diogo ainda teve uma filha fora do casamento. Não se sabe ao certo por que, Diogo já aparece no Brasil em 1540, tendo deixado para trás a mulher e os filhos. Uma das hipóteses, levantada por Evaldo Cabral de Mello1, é de que já poderia ter algum problema com a Inquisição. O certo é que em Pernambuco estabeleceu-se e recebeu uma data de terra na Várzea do Capibaribe do donatário Duarte Coelho, onde ergueu um engenho de açúcar.

DESCUBRA SE É DESCENDENTE DE JUDEUS SEFARDITAS

Denunciada pela própria família

Ao serem processadas e presas pelo Santo Ofício, a mãe e a irmã de Branca Dias a denunciaram. Isso acontecia porque as denúncias ajudavam a minimizar a pena e se fosse a denúncia de um parente, era mais bem vista pelos inquisitores. Processada, condenada e presa em 1543, Branca Dias foi libertada após dois anos sob a condição de abjurar e permanecer em Portugal, mas não se sabe se degredada ou fugindo, acabou indo com os filhos ao encontro do marido no Brasil.

Excetuando-se um dos filhos e uma das filhas, que nasceram com deficiências físicas, e um que resolveu seguir carreira militar pela coroa espanhola, todos os outros tiveram se casaramna colônia, dentre os quais Jorge Dias da Paz, comerciante na Paraíba, que casou com uma cristã-velha, e as famosas “sete irmãs”, todas casadas com homens de relevância na sociedade local.

Longe da terra natal, Branca Dias fundou, às escondidas, a primeira sinagoga no Brasil e foi considerada a primeira professora a atuar por estas terras. Contudo, voltou a ser processada no final do século XVI, mesmo após seu falecimento, por volta de 1589. Seus ossos foram transladados pelo Santo Ofício para Portugal, onde foram queimados, como forma de punição póstuma.

A descendência de Branca Dias

Sua descendência povoa praticamente todo o Nordeste brasileiro, com destaque para Pernambuco, Ceará, Paraíba, com ramos das famílias Albuquerque, Aragão, Bezerra, Carvalho, Coelho, Dias, Ferreira, Góes, Gomes, Leitão, Linhares, Menezes, Holanda, Parente, Ponte, Rodrigues, Tavares, Vasconcelos, Veras, Uchoa e Ximenes, dentre outros.

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1  MELLO, Evaldo Cabral de. O Nome e o Sangue: Uma fraude genealógica no Pernambuco colonial. Rio de Janeiro: Topbooks, 2000.

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