Os descendentes sefarditas em Minas Gerais

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O estado de Minas Gerais é mais uma região do Brasil que pode ser vista como berço dos descendentes sefarditas a exemplo do que acontece com a região Nordeste.

Ao longo do século XVIII as terras mineiras receberam sefarditas cristãos-novos que viram na região uma oportunidade para se estabelecerem e desenvolverem suas atividades econômicas.

A historiadora e genealogista Camila Amaral explica que “a descoberta das minas de ouro e diamantes naquela região, entre finais do século XVII e início do século XVIII, favoreceram o fluxo migratório de indivíduos que estavam interessados em desenvolver atividade mineradora e assim melhorarem suas vidas e o seu status social”. 

Aqueles que não estavam diretamente ligados a essa atividade extrativista de outro e diamante aproveitaram o aumento da circulação de pessoas e da geração de riquezas na região para desenvolverem os seus negócios. “Esses cristãos-novos eram comerciantes que estabeleciam os seus negócios ou que transitavam entre as vilas para desenvolver suas redes de comércio”, explica a historiadora.

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A origem dos cristão-novos

Os cristãos-novos que se estabeleceram em Minas em grande parte migraram do Norte de Portugal. Camila Amaral aponta que “existiu um fluxo migratório volumoso, ao longo de todo o Séculos XVIII, às vezes de aldeias inteiras, que se deslocaram do norte de Portugal em direção às Minas Gerais. Essas aldeias eram onde estavam localizadas as comunidades de cristãos-novos mais numerosas de Portugal.”

Em Minas Gerais, os sefarditas e seus descendentes se concentraram em algumas regiões específicas. Apesar de, do ponto de vista histórico, não ser recomendável afirmar onde eles se estabeleceram primeiro, é possível, a partir da data de fundação de algumas vilas, hoje cidades, mapear por onde esses indivíduos transitaram e viveram. Algumas dessas vilas ou cidades são Mariana, Ouro Preto, São João del-Rei, Tiradentes, Barbacena, Pitangui, Carrancas, Eurôca, Caxambu e toda de Lavras.

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Em busca de segurança

Não foi só o desenvolvimento da região que atraiu os cristãos-novos.O afastamento do litoral, ao menos nos primeiros anos das Minas Gerais, ofereceu uma espécie de refúgio para esses indivíduos, especialmente para aqueles que continuavam a praticar o judaísmo em segredo.

Vale lembrar que mesmo depois da conversão forçada e já fora de Portugal, os sefarditas continuaram a ser alvo de perseguição nos centros urbanos brasileiros. Nessas zonas havia uma estrutura governamental, administrativa e eclesiástica mais consolidada que permitiu a presença de uma ação inquisitorial mais sistemática.

 “Alguns cristãos-novos viram, num primeiro momento, nas Minas Gerais também uma espécie de espaço de proteção, onde estavam protegidos da ação inquisitorial, de um possível processo denúncia. Entretanto, o desenvolvimento dos estudos sobre os cristãos-novos na região de Minas Gerais, demonstram que essa sensação de proteção não se verificou ao longo de todo o Século XVIII. Afinal, à medida em que a região das Minas se desenvolveu, cresceu em importância econômica e em termos populacionais, a inquisição voltou seus olhos para aquela região”, explica Camila. 

A observação inquisitorial presente em outros centros urbanos, como em Recife e Salvador, até então os principais locais de atração de indivíduos de diversas origens, se faz presente também em outras regiões a partir do século XVIII. A ação da inquisição é ampliada e ao longo dos anos de 1700 ganha força no sudeste brasileiro.

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No estado, a Inquisição também contou com uma rede de agentes de origem civil ou eclesiástica que espionava, vigiava, delatava, denunciava e eventualmente prendia pessoas que cometiam crimes passíveis de punição pela inquisição. Dentre os alvos preferenciais desses atos estavam as pessoas de origem cristã-nova, foco de atuação do Tribunal do Santo Ofício, principalmente, pelo crime de judaísmo.

Os descendentes sefarditas em Minas Gerais

Duas famílias se destacam por sua ascendência sefardita. A primeira descende de Tomé Rodrigues Nogueira do Ó, fundador de Baependi e descendente direto do sefardita Antônio Bicudo Carneiro.

A extensa descendência de Tomé Rodrigues Nogueira do Ó extrapolou o Estado de Minas Gerais e se estendeu além-fronteiras chegando aos estados do Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro.

A segunda família é a de Dona Joaquina de Pompéu. Figura feminina muito conhecida em Minas Gerais, Joaquina não era descendente direta de um judeu sefardita, mas sim o seu Antônio Bicudo Carneiro.

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